domingo, 20 de dezembro de 2015

Imagine: Redescobrir o clássico de John Lennon

John Lennon - Imagine (1971)

ESSE DISCO INTEIRO É BOM!

  O álbum abre com a canção que dá título, Imagine.
Com instrumentais relativamente simples, eles estão mais que adequados, pois são o pano de fundo para a letra que apresenta a fantástica utopia: Um mundo melhor. Um mundo sem idéia de céu ou inferno - Significa que você não espera um julgamento das suas ações, você é o responsável tanto pelas ações quanto pelo julgamento. Um mundo sem fronteiras, seja de países ou religiões. Um mundo mais unificado! Imagine não haver posses, sem necessidade de ganância ou fome
  Imagine é uma proposta de mundo melhor, com mais união, através do trabalho de cada um em renunciar o egoismo, de aceitar a responsabilidade de viver dessa forma, pra que se alcance a paz e felicidade.
Outra música pró-pacífica é a "I don't wanna be a soldier mama", também muito boa


  How do you sleep é a minha favorita nesse disco. Nossa, que arranjos fenomenais! O timbre da guitarra e os acordes estavam a cargo de George Harrisson (que também vale a pena conhecer suas músicas)....  Muito embora a letra não traz uma boa história.
  Quando Paul McCartney lançou o RAM (1971), muita gente, inclusive Lennon, interpretou as músicas como indiretas a ele: Em "Too many people", uma crítica aos envolvimentos pacifistas e anti-governamentais. Em "Dear boy" e "The back seat of my car" e "Too many people" seria uma crítica à relação Lennon.Yoko em detrimento da amizade Paul.Lennon. 
  Daí Lennon fez "How do you sleep" como resposta, citando que as coisas realmente relevantes que Paul fez foi dar a idéia de Sgt. Pepper, e a música Yesterday (a mais regravada dos Beatles).
   O próprio Ringo Starr sentiu-se incomodado com a briga e não participou dessa.
Ainda bem que os ressentimentos não foram eternos, eles reataram a amizade, embora não como antes.

  Ainda gosto muito de Crippled inside, que trata das máscaras que vestimos, pra fazer tudo parecer legal, tá tudo bem, mas no interior estamos aleijados, sujos. As roupas bonitas, maquiagens, carros, hábitos de ir à igreja, seriam muitas vezes capas para ocultar nossa sujeira interior. No fundo, estamos com a alma impura.

Enfim, é um álbum muito gostoso de ouvir, seja sozinho, seja viajando no carro, numa reunião com os amigos. Altamente recomendada essa audição.

Downloads:


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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A doce e embriagante Coralie Clemént

Coralie Clément - Bye bye beauté (2005)
Falar desse disco não vai ser difícil. Nossa degustação de hoje é um prato refinado, cujos temperos foram bem escolhidos e a apresentação feita por um chéf experiente.

Coralie Clément, além de lindíssima, charmosa, é dona de uma voz doce, que por vezes ressoa como o veludo de um gato fofo.  Um sonho francês na mais lustrosa vitrine Participante de uma geração pop/chanson francesa, este álbum traz uma atmosfera calma mas ainda assim inebriante, com ótimos toques de indie pop.



O álbum Bye Bye Beauté abre com a belíssima Indécise, pra mim a melhor do disco... Seu canto é quase um sussurro, quase dá pra sentir um doce hálito de vinho no seu ouvido... quase dá pra sentir arrepios. Os metais são estupendos, fantásticos, sapecamente roubados de um trio mariachi. Depois do primeiro refrão (1:05), começa já um sutil arranjo trincado, zumbido, que acompanha e contrasta com sua voz (aumenta o volume). Se sente que a atmosfera da canção foi incrementada, também. De fones de ouvido, uma genialidade nos arranjos, provavelmente resultado do apadrinhamento do seu irmão, Benjamin Biolay.



Mais pourtant, em dueto com o Daniel Lorca (banda Nada Surf), traz um arranjo nervoso, psicodélico e simples, na guitarra. Um teclado igualmente alucinante e com um toque circense completa com glória o conjunto sonoro desta canção, que também é uma das minhas favoritas do álbum.






Em meio a um álbum com sutilidades (ou não!) que põem os auditores atentos a sonhar, cujos cérebros podem flutuar em meio a acordes, torções e distorções musicais... Eu bem que poderia falar mais, mas acho que vou deixar essas músicas falarem por si mesmo...

Este álbum não tem por aí afora, você vê só aqui
Bora curtir, musicalango!
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sábado, 17 de outubro de 2015

Denise Assumpção é a maior bandeira brasileira que você já viu!

Denise Assunção

A Maior Bandeira Brasileira

Cantora, atriz, negra, inventora. Moderna.
Denise traz estes abençoados genes da família Assumpção (ou Assunção, como ela assina) que são carregados de talento.
Irmã de Itamar Assumpção, Denise lançou em 1990 este maravilhoso disco, do jeitinho que eu gosto.
Parafraseando outros amigos de musicalidade: Esse você não pula uma faixa. É pérola de um disco só.








Assim como o sentimento das músicas do irmão, o disco de fato sofre injustiças. Na internet, pouco se sabe sobre o disco ou sobre a própria Denise. Não sei porque ela assina Assunção com N.

O disco, recheado de Jazz, com marcação forte no baixo de



Denise participou da Banda Isca de Polícia (acompanhando Itamar) pelos anos 80. Em 1990, lançou este disco. Atualmente, está(va) para lançar um livro autobiográfico, intitulado Ela.

Ela, a Denise, nascida em 1956 (sic), é atriz. Conta que recusou papéis de interpretar escrava ou empregada doméstica em telenovelas, dessas "de oportunidade".
Denise conta que pisou no palco pela primeira vez aos 12 anos (1968): Cantou e tocou percussão no espetáculo Arena Conta Zumbi. Sempre nos palcos, sempre na música.

Descobri recentemente que já havia a visto em filmes de Mazzaroppi como a forte personagem "Lírio", no longa "A banda das velhas virgens", e Leontina em "Jeca e seu filho Preto". Lá ela interpretou empregada, que era o que o Mazzaropi também estrelava sempre. Ela queria estar perto dele. Na Globo, interpretou a Parca em "Hoje é dia de Maria.

Vi um vídeo dela com a Karina Buhr, que me animou quanto à volta dela, e ouvi dizer que ela vai voltar a cantar, com músicas inéditas.

"Oceans, emotions
Ships, Ships
And other relationships
Keep us going trough the fog
And wandering misty

What is it that I missed
What is it"


O meu coração é um absurdo... Bate forte, bate mudo, bate surdo.


Denise se emociona ao lembrar do poema que escreveu e deu ao irmão, intitulado Nosso pai, do disco Baratos e afins. "Eu escrevi em um caderninho, sem pretensão nenhuma, e ele leu e começou chorar. Gostou tanto que acabou gravando".
É a primeira faixa do seu disco, que você ouve na íntegra abaixo
Ai Araponga, se Asa Branca te ouvisse, talvez um frio na barriga sentisse
Ai Araponga, se Assum Preto te olhasse, quem sabe...

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