sábado, 20 de setembro de 2014

Klatu

Em busca do rock infinito (2008)


Um álbum que é dificílimo de classificar, de rotular, é esta obra prima da prog-psicodelia brasileira. Apesar de ter ouvido uma vez, não tinha viajado muito no som dessa banda até ouvi-la uma segunda vez.
Sim, acho que não tive estômago, acho que foi um corpo estranho na minha corrente sanguínea, que foi atacado pelo sistema imune mas que agora foi tolerado a ponto de virar um pequeno vício! Isso porque só com uma overdose (volume alto) eu pude presenciar os efeitos desse som.

Não dá pra só dizer que é Rock Psicodélico, tem faixas com um toque progressivo como "Vai se acabar", mas na maioria delas vemos além da psicodelia, uma fração de Soul, Jazz, Blues e até Rock Glam. De qualquer forma, é um rock setentista.
Ainda precisa melhorar o vocal, mas os efeitos aplicados cabem como uma luva.
Os solos chegam na hora certa, resultado da influência de Pink Floyd.

Quem curte Mutantes, vai se aclimatar melhor com a sonoridade, mas ainda vai perceber essa acidez difícil de segurar no estômago, então em faixas como "Mais 8 que 80" você pode achar um pouco irritante.

Opus 67 in J bemol é uma delícia psicodélica, com vocais sincronizados ao back vocal, efeitos de voz e mais um piano dando mais uma vez o toque do funk jazz às músicas. Você ainda vê uma referência à lendária banda de progressivo brasileiro, Som Nosso de Cada Dia: Sinal da Paranóia (#Ficadica), e Raul Seixas: "Vendo tudo aquilo que se faz dentro do banheiro", entre outros.


Em "Kuarta dimensão" você vai encontrar uns arranjos de jazz, com um suingue tipo funk rock / soul, uma guitarra que lembra também o rock glam do Secos & Molhados (#Ficadica).

A faixa bônus remete à antiga banda de Carol Arantes e Leco Peres, Molho inglês (2001), a faixa foi remixada para ser posta no disco.
Então, quando estiver pronto pra sua overdose, aumente o volume e curta essa viagem psico-espaço-temporal!!!

Favoritas: Teoria e prática do rock infinito, Kuarta dimensão, Opus 67 in J bemol, Zé Eurico, Vai se acabar, Molho inglês (bônus)

Quem quiser comprar o disco, é só ir no Mercado Livre!

Ficha
Carol Arantes: Vocal
Leco Peres: Baixo
André Ayres Barará: Guitarra
Felipe Silva: Bateria

Apoio musical: Rodrigo Hid (Banda Pedra e ex-Patrulha do espaço), Teclado, piano, sintetizador, violão e guitarra-base; Junior Muelas (Estação da Luz), bateria; Roby Pontes, percussão; Marcião Soul (Mizzytrio), Xande (Grupo Baranga) e Vicente Carrari, guitarra de apoio. Lu Vitalino (Made in Brazil) e Pati Nascimento (Virtude), vocal de apoio.

Entre na mata do calango:



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sábado, 14 de junho de 2014

Téo Azevedo: O grito selvagem do groove mineiro

Téo Azevedo

Grito Selvagem (1974)

O groove-calango de Téo azevedo! Mais uma raridade, exclusividade musicalango.

Mineiro, filho de Seu Tiófo, conhecido como o "lendário violeiro de um braço só", que ficou eternizado no poema de Carlos Drummond de Andrade (Viola de bolso). Téo é o legado de seu pai, e mais ainda. Uma obra construída com uma história de vida rica. Foi cantor, compositor, violeiro, repentista, escritor, poeta, folclorista, radialista.

Dividido entre as origens e a nova vida nos centros urbanos RIO-SP, Téo constrói este que é um LP temático, de um caboclo encantado com a cidade grande. Este é o seu primeiro trabalho, uma raridade em que só nele você vê esse flerte com guitarras rock, jovem guarda, e o seu estilo e cabelo black power.
Das 10 incríveis faixas, apenas "Mané João" não é de autoria. É uma releitura da música de Roberto e Erasmo Carlos, que ficou irada.

O disco começa com "Eu tentei", um rock-samba sobre o amor não correspondido. Segue com "Cego Aderaldo", que traz guitarras mais marcantes, tem também um som do regional (sanfona?) que não deixa por menos e faz um solo pra completar o groove. Assacumpero é um groove-calango que foca na sonoridade das palavras. "O novo de hoje já é velho" parece mesmo um martelo-galope, como ele mesmo cita na letra, com uma levada mais calma e compassada. Ele aplica as mesmas influências na releitura de "Mané João", aproveitando da deixa bem-humorada que a música e o ritmo permitem. "O eco do grito" é justamente a idéia transformada desse grito selvagem, a concepção sob a influência mais recente de Téo no Rio de Janeiro.

"Vá pentear macaco", que eu não gosto de puxa-saco! Esta faixa traz um groove com vocais certeiros, e uma guitarra que duela e acompanha pra criar um clima de sacolejo e descontração. "Calangueando*" traz alguns ritmos e instrumentos do samba. É um disse-me-disse em que Téo usa de crenças pra mentir ou desmentir alguns ditos, trazendo também uma atmosfera bem-humorada que transporta sua consciência para um baile típico da cidadezinha, no melhor da festa, quando todo mundo canta.


Direção musical, arranjos e piano ficaram por conta do maestro Daniel Salinas. O time conta com Willy (baixo), Morival (bateria), Edson (Violão), Antenor (Guitarra e violão 12 cordas). Conta ainda com o apoio do Grupo Acauã (ritmo), Mares do sul (vocal), e a participação de Charles & Ralf.

*Aqui na minha terra, calango é o apelido dado a um lagarto, lagartixa, etc. De fato, deriva do ambundo (ri)kalanga, que significa lagartixa. Mas em Minas, calango é um ritmo da cultura popular. O nome sugere imitação do passo do calango, arrastando o pé. Ou talvez, o ritmo derive do Kimbundo Kalanga (prevenção), pois como é uma batalha de cantadores, o calangueiro tem que estar prevenido. É um equivalente rural para o repente nordestino ou o partido alto carioca.
Tem uma levada gostosa, 2/4, que muito pouco lembra o calango tradicional. O calango mineiro ocorre em GO, MG, ES, MG, RJ, SP e outros estados do Brasil. É cantado em compasso binário, com estrofes de quatro versos (quadras), ou seis (sextilhas) etc. Fonte: Biblioteca de ritmos; Dicionário MPB.
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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Aquila

Aquila

Aquila (1970)                    



Banda que lançou seu disco único, no País de Gales, por um preço baixo perante a qualidade. Geralmente definido como art rock, traz fortes influências do Jazz, heavy rock, psicodélico, progressivo. Esse agrupamento foi tão raro que dizem que até a foto do encarte foi feita de recortes dos integrantes.
O líder e autor das músicas foi Ralph Denyer, que fora vocalista e guitarrista da Blonde on Blonde, que ao deixá-la em 1970 formou Aquila com seus velhos amigos. 

É um mistério o que aconteceu com a banda, ainda mais devido ao fato de terem assinado com uma grande gravadora como a RCA. George Lee, instrumentista de sopro, entrou no ARRIVAL, uma colaboração de vocais (Seria este George Lee o mesmo integrante dos Burning Spear, e Toots & The Maytals?);

Fãs de Aquila poderão curtir também Chicago, Traffic e Argent.

Conheça: link 1; link 2!!

++ Blonde on Blonde recrutou um amigo de Denyer, David Thomas enquanto gravavam "Rebirth", seu álbum mais aclamado.
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