sábado, 14 de junho de 2014

Téo Azevedo: O grito selvagem do groove mineiro

Téo Azevedo

Grito Selvagem (1974)

O groove-calango de Téo azevedo! Mais uma raridade, exclusividade musicalango.

Mineiro, filho de Seu Tiófo, conhecido como o "lendário violeiro de um braço só", que ficou eternizado no poema de Carlos Drummond de Andrade (Viola de bolso). Téo é o legado de seu pai, e mais ainda. Uma obra construída com uma história de vida rica. Foi cantor, compositor, violeiro, repentista, escritor, poeta, folclorista, radialista.

Dividido entre as origens e a nova vida nos centros urbanos RIO-SP, Téo constrói este que é um LP temático, de um caboclo encantado com a cidade grande. Este é o seu primeiro trabalho, uma raridade em que só nele você vê esse flerte com guitarras rock, jovem guarda, e o seu estilo e cabelo black power.
Das 10 incríveis faixas, apenas "Mané João" não é de autoria. É uma releitura da música de Roberto e Erasmo Carlos, que ficou irada.

O disco começa com "Eu tentei", um rock-samba sobre o amor não correspondido. Segue com "Cego Aderaldo", que traz guitarras mais marcantes, tem também um som do regional (sanfona?) que não deixa por menos e faz um solo pra completar o groove. Assacumpero é um groove-calango que foca na sonoridade das palavras. "O novo de hoje já é velho" parece mesmo um martelo-galope, como ele mesmo cita na letra, com uma levada mais calma e compassada. Ele aplica as mesmas influências na releitura de "Mané João", aproveitando da deixa bem-humorada que a música e o ritmo permitem. "O eco do grito" é justamente a idéia transformada desse grito selvagem, a concepção sob a influência mais recente de Téo no Rio de Janeiro.

"Vá pentear macaco", que eu não gosto de puxa-saco! Esta faixa traz um groove com vocais certeiros, e uma guitarra que duela e acompanha pra criar um clima de sacolejo e descontração. "Calangueando*" traz alguns ritmos e instrumentos do samba. É um disse-me-disse em que Téo usa de crenças pra mentir ou desmentir alguns ditos, trazendo também uma atmosfera bem-humorada que transporta sua consciência para um baile típico da cidadezinha, no melhor da festa, quando todo mundo canta.


Direção musical, arranjos e piano ficaram por conta do maestro Daniel Salinas. O time conta com Willy (baixo), Morival (bateria), Edson (Violão), Antenor (Guitarra e violão 12 cordas). Conta ainda com o apoio do Grupo Acauã (ritmo), Mares do sul (vocal), e a participação de Charles & Ralf.

*Aqui na minha terra, calango é o apelido dado a um lagarto, lagartixa, etc. De fato, deriva do ambundo (ri)kalanga, que significa lagartixa. Mas em Minas, calango é um ritmo da cultura popular. O nome sugere imitação do passo do calango, arrastando o pé. Ou talvez, o ritmo derive do Kimbundo Kalanga (prevenção), pois como é uma batalha de cantadores, o calangueiro tem que estar prevenido. É um equivalente rural para o repente nordestino ou o partido alto carioca.
Tem uma levada gostosa, 2/4, que muito pouco lembra o calango tradicional. O calango mineiro ocorre em GO, MG, ES, MG, RJ, SP e outros estados do Brasil. É cantado em compasso binário, com estrofes de quatro versos (quadras), ou seis (sextilhas) etc. Fonte: Biblioteca de ritmos; Dicionário MPB.
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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Aquila

Aquila

Aquila (1970)                    



Banda que lançou seu disco único, no País de Gales, por um preço baixo perante a qualidade. Geralmente definido como art rock, traz fortes influências do Jazz, heavy rock, psicodélico, progressivo. Esse agrupamento foi tão raro que dizem que até a foto do encarte foi feita de recortes dos integrantes.
O líder e autor das músicas foi Ralph Denyer, que fora vocalista e guitarrista da Blonde on Blonde, que ao deixá-la em 1970 formou Aquila com seus velhos amigos. 

É um mistério o que aconteceu com a banda, ainda mais devido ao fato de terem assinado com uma grande gravadora como a RCA. George Lee, instrumentista de sopro, entrou no ARRIVAL, uma colaboração de vocais (Seria este George Lee o mesmo integrante dos Burning Spear, e Toots & The Maytals?);

Fãs de Aquila poderão curtir também Chicago, Traffic e Argent.

Conheça: link 1; link 2!!

++ Blonde on Blonde recrutou um amigo de Denyer, David Thomas enquanto gravavam "Rebirth", seu álbum mais aclamado.
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domingo, 30 de março de 2014

Módulo 1000

Módulo 1000

Não fale com paredes (1970)

Grupo carioca de progressivo/hard rock, formado em 1969, que teve breve duração. O quarteto seguia uma linha pesada com nítidas influências de Black Sabbath e toques de psicodélicos a la Pink Floyd. O Módulo 1000 teve em seu currículo a participação no V Festival Internacional da Canção e o lançamento de um único álbum em 1972, que hoje é um valioso item para os negociantes de LPs raros. Na década de 1990, um colecionador de discos do Rio de Janeiro comprou os direitos do Módulo 1000 junto a Top Tape e transformou o LP em CD com um número limitado de cópias. O CD saiu pela Zaher Zein/Projeto Luz Eterna. Na Europa o disco - Não Fale Com Paredes - tornou-se um clássico. 




Módulo 1000 no Festival da Record (1969)
"Não Fale Com Paredes", o único álbum da banda, um exercício de criatividade instrumental, marcada por riff's marcantes de guitarra que, hoje, pode-se nivelar aos melhores discos do gênero produzidos no país e no exterior. "Turpe Est Sine Crine Caput", cantada em latim, com um impressionante trabalho de guitarra, abre o disco mostrando o que vem pela frente. "Não Fale Com Paredes", com parte da letra de Vitor Martins ("Uma pessoa/É uma figura/É uma imagem/Numa moldura"), em clima de quase hard-rock à la Grand Funk Railroad, expõe a face mais pesada do grupo. E "Espelho" é uma viagem acústica, com vocais suaves, que lembra um pouco a sonoridade dos Mutantes. 


Um aviso na capa do LP reflete a preocupação do grupo com a qualidade de produção: "o tempo de duração de cada face do disco foi limitado a 16 minutos para proporcionar uma excelente reprodução sonora". Objetivo alcançado, pois ainda hoje causa surpresa aos novos ouvintes o resultado final do disco, gravado com as conhecidas condições técnicas nacionais de trinta anos atrás. E por jovens que tinham idade média de 20 anos. 



"Não Fale Com Paredes" também é assíduo frequentador das "wanted lists" (os mais procurados) de colecionadores internacionais de discos raros de música psicodélica e progressiva. Sua capa (em detalhe) está no livro "2000 Record Collector Dream", do austríaco Hans Pokora, e uma de suas músicas - "Lem-Ed-Êcalg (Glacê de Mel, ao contrário) - integra a coletânea "Love, Peace & Poetry - Latin American Psychedelic Music", ao lado da também brasileira "Som Imaginário". 






Mesmo assim, a sina de "Não Fale Com Paredes" parece ser permanecer no anonimato. Remasterizado, com capa original de papel e encarte com as letras, ganhou versão em CD, sem que ninguém tenha se dado conta.
Originalmente gravado pela Top Tape, a reedição caprichada, limitada e provavelmente esgotada é da Zaher Zein/Projeto Luz Eterna. 

Obs: O blog musicalango traz faixas exclusivas, o fino do fino pra você que já conhece esta incrível e indefectível banda. Estas faixa vêm de discos tipo vários autores, e não lançados oficialmente (?). Confira no terceiro link.

Baixe aqui, calango! (Senha: muro)
(Ou pelo Mega) (Senha: muro)
Créditos: murodoclassicrock4.blogspot.com
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