sábado, 8 de novembro de 2014

Cumbia! Que es la cumbia?

Gente, estou meio bastante sumido, né? Coisas da vida, mestrado, estudos, trabalho etc... Mas a música não para!

E para retornar com as atividades, esse post é uma preparação para uma postagem próxima, sobre Cumbia, ritmo que me encantou e maravilhou, devido à riqueza do ritmo, instrumentos e toda a magia envolvida.

E quando falamos de ritmo, temos na Cumbia uma raiz muito rica: África.
Isso mesmo, apesar de ter atualmente bandas populares, com sons parecidos com a Salsa, a cumbia é oriunda de estilos musicais africanos, que na Colombia se originou e depois disseminou pela America Latina, principalmente no paraguai e países vizinhos (escutei uma Cumbiazinha num boteco na Argentina!). Cumbia é popular na Colombia, como é o samba no Brasil, ou rumba em Cuba...

A história conta que surgiu na costa do caribe, com escravos africanos, durante a época colonial. Parece não haver um consenso sobre a origem da palavra: Da Guiné equatorial, cumbé (ritmo e dança de Mbata, nesta região); ou cumbé, palavra de dialeto africano que significa festa.

Entre os instrumentos, temos principalmente tambores, gaitas colombianas, flauta de millo, maracón e guache.

Temos ainda tipos de cumbia: Cumbia andina (Também chamada "Chicha"), colombiana, Panameña, Argentina, Villera, venezolana, salvadoreña, chilena, Nueva cumbia chilena, boliviana... etc. ou ainda se divide em Cumbias Clássica (de raiz, baseado mais em danças e instrumentos), moderna, cumbiamba.

Cumbia Argentina tem influências de Chamamé e Tango. Cumbia villera é uma derivação da cumbia argentina, que se diferencia pela letra de teor marginal. O termo Villa remete a qualquer coisa de "villa miseria" que equivale às pequenas favelas, ou o termo "nigger" estadunidense. Vê-se por exemplo, a luta pelo reconhecimento igualitário da sociedade.

Começou a se difundir em 1942, na rádio bogotana, com a estrofe "se vá o caimán", a ponto de motivar protestos contra as composições "imorais". Isto porque em 1940 fora publicada uma lenda de um homem, metamórfico em caimán (?), e vivia em canos chorando com voz humana... O que foi depois imortalizado na letra de José María Peñaranda. Então temos aí um elemento folclórico do ritmo.

Entre os expoentes da cumbia, temos José de Barros, Arturo Jaimes, Efraín Mejía, Selena, mas estes são parte da história da Cumbia.
Atualmente temos um universo de Cumbia para explorar, tão grande que mescla elementos de Rap, Hip Hop, eletronica, jazz, rock, salsa, afrobeat...
Vamos explorar?

Fonte: Wikipedia e blogs latinos
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sábado, 20 de setembro de 2014

Klatu

Em busca do rock infinito (2008)


Um álbum que é dificílimo de classificar, de rotular, é esta obra prima da prog-psicodelia brasileira. Apesar de ter ouvido uma vez, não tinha viajado muito no som dessa banda até ouvi-la uma segunda vez.
Sim, acho que não tive estômago, acho que foi um corpo estranho na minha corrente sanguínea, que foi atacado pelo sistema imune mas que agora foi tolerado a ponto de virar um pequeno vício! Isso porque só com uma overdose (volume alto) eu pude presenciar os efeitos desse som.

Não dá pra só dizer que é Rock Psicodélico, tem faixas com um toque progressivo como "Vai se acabar", mas na maioria delas vemos além da psicodelia, uma fração de Soul, Jazz, Blues e até Rock Glam. De qualquer forma, é um rock setentista.
Ainda precisa melhorar o vocal, mas os efeitos aplicados cabem como uma luva.
Os solos chegam na hora certa, resultado da influência de Pink Floyd.

Quem curte Mutantes, vai se aclimatar melhor com a sonoridade, mas ainda vai perceber essa acidez difícil de segurar no estômago, então em faixas como "Mais 8 que 80" você pode achar um pouco irritante.

Opus 67 in J bemol é uma delícia psicodélica, com vocais sincronizados ao back vocal, efeitos de voz e mais um piano dando mais uma vez o toque do funk jazz às músicas. Você ainda vê uma referência à lendária banda de progressivo brasileiro, Som Nosso de Cada Dia: Sinal da Paranóia (#Ficadica), e Raul Seixas: "Vendo tudo aquilo que se faz dentro do banheiro", entre outros.


Em "Kuarta dimensão" você vai encontrar uns arranjos de jazz, com um suingue tipo funk rock / soul, uma guitarra que lembra também o rock glam do Secos & Molhados (#Ficadica).

A faixa bônus remete à antiga banda de Carol Arantes e Leco Peres, Molho inglês (2001), a faixa foi remixada para ser posta no disco.
Então, quando estiver pronto pra sua overdose, aumente o volume e curta essa viagem psico-espaço-temporal!!!

Favoritas: Teoria e prática do rock infinito, Kuarta dimensão, Opus 67 in J bemol, Zé Eurico, Vai se acabar, Molho inglês (bônus)

Quem quiser comprar o disco, é só ir no Mercado Livre!

Ficha
Carol Arantes: Vocal
Leco Peres: Baixo
André Ayres Barará: Guitarra
Felipe Silva: Bateria

Apoio musical: Rodrigo Hid (Banda Pedra e ex-Patrulha do espaço), Teclado, piano, sintetizador, violão e guitarra-base; Junior Muelas (Estação da Luz), bateria; Roby Pontes, percussão; Marcião Soul (Mizzytrio), Xande (Grupo Baranga) e Vicente Carrari, guitarra de apoio. Lu Vitalino (Made in Brazil) e Pati Nascimento (Virtude), vocal de apoio.

Entre na mata do calango:



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sábado, 14 de junho de 2014

Téo Azevedo: O grito selvagem do groove mineiro

Téo Azevedo

Grito Selvagem (1974)

O groove-calango de Téo azevedo! Mais uma raridade, exclusividade musicalango.

Mineiro, filho de Seu Tiófo, conhecido como o "lendário violeiro de um braço só", que ficou eternizado no poema de Carlos Drummond de Andrade (Viola de bolso). Téo é o legado de seu pai, e mais ainda. Uma obra construída com uma história de vida rica. Foi cantor, compositor, violeiro, repentista, escritor, poeta, folclorista, radialista.

Dividido entre as origens e a nova vida nos centros urbanos RIO-SP, Téo constrói este que é um LP temático, de um caboclo encantado com a cidade grande. Este é o seu primeiro trabalho, uma raridade em que só nele você vê esse flerte com guitarras rock, jovem guarda, e o seu estilo e cabelo black power.
Das 10 incríveis faixas, apenas "Mané João" não é de autoria. É uma releitura da música de Roberto e Erasmo Carlos, que ficou irada.

O disco começa com "Eu tentei", um rock-samba sobre o amor não correspondido. Segue com "Cego Aderaldo", que traz guitarras mais marcantes, tem também um som do regional (sanfona?) que não deixa por menos e faz um solo pra completar o groove. Assacumpero é um groove-calango que foca na sonoridade das palavras. "O novo de hoje já é velho" parece mesmo um martelo-galope, como ele mesmo cita na letra, com uma levada mais calma e compassada. Ele aplica as mesmas influências na releitura de "Mané João", aproveitando da deixa bem-humorada que a música e o ritmo permitem. "O eco do grito" é justamente a idéia transformada desse grito selvagem, a concepção sob a influência mais recente de Téo no Rio de Janeiro.

"Vá pentear macaco", que eu não gosto de puxa-saco! Esta faixa traz um groove com vocais certeiros, e uma guitarra que duela e acompanha pra criar um clima de sacolejo e descontração. "Calangueando*" traz alguns ritmos e instrumentos do samba. É um disse-me-disse em que Téo usa de crenças pra mentir ou desmentir alguns ditos, trazendo também uma atmosfera bem-humorada que transporta sua consciência para um baile típico da cidadezinha, no melhor da festa, quando todo mundo canta.


Direção musical, arranjos e piano ficaram por conta do maestro Daniel Salinas. O time conta com Willy (baixo), Morival (bateria), Edson (Violão), Antenor (Guitarra e violão 12 cordas). Conta ainda com o apoio do Grupo Acauã (ritmo), Mares do sul (vocal), e a participação de Charles & Ralf.

*Aqui na minha terra, calango é o apelido dado a um lagarto, lagartixa, etc. De fato, deriva do ambundo (ri)kalanga, que significa lagartixa. Mas em Minas, calango é um ritmo da cultura popular. O nome sugere imitação do passo do calango, arrastando o pé. Ou talvez, o ritmo derive do Kimbundo Kalanga (prevenção), pois como é uma batalha de cantadores, o calangueiro tem que estar prevenido. É um equivalente rural para o repente nordestino ou o partido alto carioca.
Tem uma levada gostosa, 2/4, que muito pouco lembra o calango tradicional. O calango mineiro ocorre em GO, MG, ES, MG, RJ, SP e outros estados do Brasil. É cantado em compasso binário, com estrofes de quatro versos (quadras), ou seis (sextilhas) etc. Fonte: Biblioteca de ritmos; Dicionário MPB.
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